Brasil articula pressão para UE destravar acordo com Mercosul

Após o Parlamento Europeu levar nesta quarta-feira (21) o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia à Corte de Justiça – o que pode congelar a implantação do tratado -, o governo Lula deve entrar no circuito político. O Valor apurou, neste sentido, que a ideia do Brasil é tentar articular para que todos os países do bloco sul-americano aprovem, o quanto antes, os termos do acordo em seus respectivos parlamentos.

A articulação envolveria Paraguai, Uruguai e Argentina. Desta forma, na avaliação de integrantes da cúpula do governo petista, o Mercosul passará uma mensagem veemente aos países europeus. Ao mesmo tempo, a região poderá ajudar, com esse gesto, a dar certo “empoderamento” tanto para Comissão Europeia quanto para Conselho Europeu, para que ambos consigam reverter a judicialização imposta por uma ala do Parlamento.

A estratégia tem como pano de fundo a avaliação, feita pelo governo brasileiro, de que Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu, continuam comprometidos em levar o tratado à frente. Diante disso, dizem interlocutores, o Mercosul precisa fazer sua parte, para oferecer um alicerce político aos dois líderes.

O primeiro passo para colocar esse plano em prática, no entanto, é o Brasil dar o exemplo. Assim, o Palácio do Planalto deve tratar como prioridade a aprovação dos termos do acordo junto ao Congresso Nacional, o que só poderá acontecer após o fim do recesso legislativo, no fim deste mês de janeiro.

A importância de o Brasil dar o primeiro passo, com auxílio dos congressistas da Câmara dos deputados e do Senado, se deve ao fato de que o mercado consumidor brasileiro é o maior do continente sul-americano, o que deverá funcionar como uma espécie de “pressão” para que os europeus não percam essa oportunidade econômica.

Fonte: Valor Econômico por Assessoria Jurídica Tributária da FETCESP / Foto: Banco de Imagens – Canva