Obras de ampliação na hidrovia Tietê-Paraná, em São Paulo, devem iniciar em julho

Está previsto para julho deste ano o início das obras de ampliação do Canal de Nova Avanhandava, no trecho da hidrovia Tietê-Paraná localizado em São Paulo. A autorização para o início do processo licitatório foi dada pelo governador do estado, Geraldo Alckmin, nessa segunda-feira (28). A expectativa é que a medida evite novos transtornos à navegação comercial pela via, que ficou paralisada 20 meses – entre 2014 e 2016 – devido à redução do nível das águas.  
 
O canal de navegação será aprofundado em 2,4 metros, numa extensão de aproximadamente 10 quilômetros, em trecho do Rio Tietê, onde está localizado o reservatório de Três Irmãos. A empresa vencedora do processo licitatório terá 29 meses para concluir os trabalhos. 
 
Conforme a Fenavega (Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária), o projeto é importante para consolidar a navegação comercial no corredor logístico. No ato de assinatura da autorização, no Palácio dos Bandeirantes, a entidade foi representada pelo presidente e pelo vice-presidente do Sindasp (Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial do Estado de São Paulo), Edson Palmesan e Lizio Rizzo. Eles destacaram que, com a conclusão das obras, usuários e empresas de navegação devem ter melhores condições de planejamento e segurança de continuidade de operação. Além disso, a previsão é que a obra contribua para a compatibilização do uso múltiplo do reservatório. Assim, a operação das hidrelétricas existentes ao longo da hidrovia não deve interferir novamente no transporte aquaviário.
 
Conforme o governo de São Paulo, as licenças ambientais de instalação e de operação das obras já foram concedidas pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), em janeiro deste ano. 
 
Edital
 
O edital, publicado nessa terça (29), pode ser obtido por meio do site www.transportes.sp.gov.br? ou no Departamento Hidroviário de São Paulo (Rua Boa Vista, 162, 8º andar, Centro, São Paulo-SP). Os envelopes serão recebidos até as 17h do dia 3 de maio, no Departamento Hidroviário. A abertura ocorrerá no dia 4 de maio, às 9h30min. Dúvidas podem ser esclarecidas pelos telefones (11) 2500-5484 e 2500-5487.
 
Paralisação na Tietê-Paraná
 
A navegação na hidrovia Tietê-Paraná foi retomada no dia 27 de janeiro deste ano, depois de ficar interrompida por 20 meses. A estimativa é que os prejuízos, diretos e indiretos, somem R$ 1 bilhão. O valor contabiliza, por exemplo, suspensão das operações de terminais e de embarcações, redução dos serviços nos estaleiros que fazem manutenção e construção naval, cargas que tiveram que ser transportadas por outros modais e rescisões trabalhistas, já que cerca de 1,6 mil trabalhadores foram demitidos.
 
A medida foi determinada em maio de 2014 em razão da falta de chuvas, especialmente no Sudeste. Além de o nível dos rios da região ter baixado, foi priorizada a destinação da água para geração de energia elétrica, em especial para abastecer o estado de São Paulo. Isso inviabilizou a navegação na região. 
 
Em 2013, mais de seis milhões de toneladas em produtos passaram pela Tietê-Paraná. A hidrovia é um importante corredor para o escoamento de produtos, especialmente aqueles destinados para exportação, como grãos cultivados na região Centro-Oeste do país. Com 2,4 mil quilômetros navegáveis, ela atende a seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. 
 
Além disso, o transporte aquaviário é economicamente mais viável, especialmente nas longas distâncias, com um frete 40% mais baixo que o rodoviário. Ainda, segundo a Pesquisa CNT de Navegação Interior 2013, realizada pela Confederação Nacional do Transporte, enquanto um caminhão gasta 15,4 litros de combustível para percorrer mil quilômetros, uma embarcação em um rio consome 4,1 litros.